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Portos e Terminais TOP 15 em perspectiva - 01/03/2016

 

O respeitado Professor Doutor Theo Notteboom publicou recentemente no site PortEconomics uma análise bastante interessante sobre a performance dos 15 maiores portos europeus – Top 15 European Container Ports in 2015-, na qual avalia que a queda de 1,6% de volume nos portos Europeus em 2015 foi uma das piores da história da movimentação de contêineres na Europa. Segundo o relatório do Prof. Notteboom, os resultados somente perderiam para a queda vivida na crise internacional de 2009 (-13,9%), embora, que no comparativo entre 2007 (pré-crise) e 2015, tenha havido um crescimento nos volumes da ordem de 12,1%.


De forma resumida, o professor associa os portos que mais cresceram nos últimos 8 anos a uma grande dependência dos volumes de transbordo (Piraeus, Valencia, Algeciras e Marsaxlokk/Malta), e justifica a queda de volume de Hamburgo como um reflexo da deterioração da economia da Rússia, já que partem desse porto alemão muitos naviosfeeders com destino a St-Petersburg.


O professor conclui o texto alertando que, uma vez que 2016 não deve ainda demonstrar uma retomada da demanda, e o ainda teremos o aumento das fusões, aquisições e mega-alianças entre os armadores, a competição entre os terminais tende a aumentar: “Estes são tempos emocionantes para portos europeus” disse.


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Claro que não resisti, e preparei o mesmo levantamento para os portos brasileiros, já que acredito que o alerta do professor se aplica não apenas aos portos europeus, mas aos portos de todas as regiões do planeta.

Por mais contraditório que possa parecer, a movimentação nos 15 maiores portos e terminais brasileiros cresceu 3,5% em 2015, mesmo num ano de forte queda do PIB… Nos últimos oito anos, o crescimento de volume desses portos e terminais foi de 34,7% − quase o triplo do crescimento registrado pelos “Top 15” portos Europeus.

Ou seja: a movimentação portuária no Brasil tem, de fato, apresentado um crescimento bastante relevante, muito embora a soma do volume dos 15 maiores portos/terminais brasileiros em 2015 tenha sido menor do que o volume movimentado no mesmo ano apenas por Hamburgo − terceiro colocado do ranking europeu.

Artigo_16_2016_02_29_Barreto_imagem2_tabela

No que se refere à performance de cada porto/terminal brasileiro, tendo em vista que o crescimento dos volumes de exportação foram “neutralizados” pela queda dos volumes de importação, é possível ponderar que, tal como na Europa, os 4 portos/terminais que apresentaram maior crescimento em 2015 (BTP, Embraport, Itapoá e Rio Grande) foram beneficiados pelo crescimento dos volumes de transbordo na costa brasileira, além do fato de os três primeiros serem terminais novos, modernos e adequados às necessidades dos novos navios que estão chegando por aqui.

Já entre as principais quedas, embora seja razoável acreditar que existam explicações pontuais para justificar a redução de volumes de alguns portos/terminais em 2015 − tais como forte concorrência de novos entrantes (Santos Brasil e Libra Santos), queda na demanda/crise (Chibatão, Suape e Sepetiba), enchentes/mau tempo (Portonave e APMT Itajaí), fim dos incentivos fiscais (Vitória) −, ao analisarmos a evolução do crescimento nos últimos 8 anos, é possível ter uma leitura muito clara do que está acontecendo em nossa costa: Portos/Terminais capazes de receber e operar com boa produtividade os navios grandes estão crescendo, enquanto os demais estão ficando para trás, e a tendência é que isso se intensifique nos próximos anos.

A propósito, concordo integralmente com a avaliação do professor Notteboom, de que a concorrência entre terminais tende a se acirrar, mas, se pudesse fazer um pequeno adendo ao texto dele, diria que, apesar de a Rússia ter impactado a performance do porto de Hamburgo em 2015, são as restrições aos mega navios no canal de acesso ao porto que explicam a perda recorrente de Market Share do porto de Hamburgo nos últimos 8 anos: bom para Roterdã e Antuérpia.

 

Leandro Barreto é administrador de empresas, especializado em economia internacional pela Universidade de Grenoble e em Inteligência Competitiva pela FEA/USP. Há mais de dez anos atuando no segmento, foi gerente de Inteligência de Mercado na Hamburg-Süd, professor pelo IBRAMERC e Diretor de Análises da Datamar Consulting. Atualmente, coordena projetos independentes de consultoria com forte atuação junto a armadores, autoridades portuárias, embarcadores e entidades públicas voltadas para o desenvolvimento do setor portuário.

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