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Refúgio para tempos de crise - 28/05/2013

O Brasil já foi o país do futuro, já foi a bola da vez. Hoje, com uma presença mais consolidada no cenário internacional (conseguiu até eleger o próximo diretor-geral da Organização Mundial do Comércio, Roberto Azevêdo), parece ser um dos refúgios preferidos de governos e empresas de vários países, sobretudo europeus. Nas últimas semanas, altas autoridades de países como Alemanha e Espanha estiveram por aqui com a intenção declarada de estreitar os laços comerciais, trazendo na bagagem planos de investimento que permitam a suas empresas ter acesso a nosso ainda amplo mercado interno. E isso apesar de persistirem as reclamações em relação a burocracia e sistema tributário complexo.

Há dez, 15 anos, as missões comerciais estrangeiras normalmente chegavam apenas com técnicos dos governos e empresários que buscavam oportunidades específicas. O cenário mudou. Em meio ao "Ano da Alemanha no Brasil", o presidente germânico Joachim Gauck abriu, ao lado da presidente Dilma Rousseff, um fórum econômico que reuniu cerca de 2 mil empresários recentemente em São Paulo. Os alemães querem exportar mais tecnologia e conceitos de inovação, além de promover integração com as pequenas empresas brasileiras. A ministra de Fomento da Espanha, Ana Pastor, inaugurou na semana passada uma rodada de debates com companhias brasileiras e espanholas ressaltando o interesse do governo do país em garantir presença no leilão do trem de alta velocidade que ligará Rio e São Paulo e em outros projetos de infraestrutura.
 
Crise – A atual crise nos países ricos, que em setembro completa cinco anos, é parte da explicação para esse interesse, diz a professora de Relações Internacionais da ESPM Cristina Helena Pinto de Mello. Afinal, os países da zona do euro estão em recessão e precisam encontrar novos mercados para vender seus produtos (na ponta oposta, os brasileiros ainda têm renda e disposição para comprar).
 
"Mas esse interesse dos estrangeiros também é resultado da agenda que o Brasil adotou nos últimos anos. Os governos souberam se posicionar de forma a levar o país a participar de importantes fóruns internacionais relevantes dos pontos de vista político e econômico", observou. "Temos uma economia importante. Há muitas oportunidades, especialmente neste momento em que se preparam megaeventos como a Copa e a Olimpíada, e em que se começa a explorar riquezas como a do pré-sal", acrescentou.
 
O perigo, destacou Cristina, é o Brasil não conseguir fazer reformas capazes de solidificar a posição conquistada. "O momento é favorável, mas se o País não garantir a estrutura necessária para os investimentos estrangeiros, podemos perder terreno."
 
Cautela – De fato, os números já refletem um ambiente internacional de relativa cautela, a que o Brasil deve ficar atento. Nos dois últimos anos, o volume de Investimento Estrangeiro Direto (IED) no País vem desacelerando, mostra estudo da Sociedade Brasileira de Estudos de Empresas Transnacionais e da Globalização Econômica (Sobeet). Depois de atingir o recorde de US$ 66,7 bilhões em 2011, o IED caiu para US$ 65,3 bilhões em 2012 e para US$ 63,6 bilhões nos 12 meses anteriores a março. "Ainda assim, o País permanece entre os principais destinos mundiais desses recursos", afirmaram os técnicos da entidade no relatório. No trabalho, eles também observam que o IED tem perdido em qualidade, pois as operações de empréstimos entre multinacionais e suas filiais no Brasil têm chamado mais a atenção do que novas compras de participações.
 
Segundo o último censo de capitais estrangeiros, divulgado na semana passada pelo Banco Central, o Brasil tinha, no fim de 2011, estoque de US$ 688,6 bilhões em IED, sendo US$ 589,2 bilhões em participações diretas e US$ 99,4 bilhões em empréstimos intercompanhias (veja detalhes no quadro). O estoque era equivalente a 24% do Produto Interno Bruto (PIB). Na lista dos maiores investidores, destaque para os europeus. E se depender das ações oficiais, vão continuar no topo desse ranking.


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