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Panorama das economias andinas - 26/02/2013

Chile, Colômbia e Peru - as principais economias andinas - formam um grupo vibrante. Elas têm crescimento potencial elevado para padrões globais e mostraram resiliência cíclica mediante políticas econômicas sólidas. Todas oferecem oportunidades de investimento atraentes e espaço para diversificação de portfólios.

Juntos, em Produto Interno Bruto (PIB, corrigido para paridade de poder de compra) e população, esses países equivalem a cerca de metade do Brasil. Seu território total é pouco mais de um terço do brasileiro. E, voltados para o Pacífico e ricos em recursos naturais, têm uma ligação natural com a Ásia.

Após anos de estabilidade econômica e reformas estruturais - refletidas na sua abertura comercial e por ocuparem as três primeiras posições latino-americanas no "Doing Business" de 2013 - eles têm crescido rapidamente. Na última década, expandiram-se entre 4,4% (Colômbia) e 6,4% (Peru) ao ano, em média. Como ainda têm frutos para colher simplesmente se aproximando da fronteira global de eficiência, essa tendência, sob condições adequadas, deve continuar.

Ainda existem desafios estruturais a enfrentar. Como no restante da América Latina, têm muito espaço para aprimorar o capital humano e para avançar na distribuição de renda; conciliar as necessidades das comunidades locais com grandes projetos de investimento

Uma das chaves para esse desempenho é a percepção de baixo risco político e macroeconômico. Pelo lado político, o Chile já foi governado com sucesso por coalizões de centro-esquerda e de centro-direita, com uma classe média em rápida expansão. No Peru, a centro-esquerda foi firme na gestão macroeconômica, apesar de dúvidas iniciais do mercado, e tem uma ambiciosa agenda de reformas para ganhar eficiência no setor público. Completando-se o processo de pacificação na Colômbia, sua percepção de risco deve melhorar ainda mais, em adição ao progresso já dramático da última década.

Pelo lado macroeconômico, esses países montaram arcabouços de ponta, adotando as melhores práticas para pequenas economias abertas. Todos contam com bancos centrais independentes operando regimes de metas para a inflação (Chile e Colômbia com metas de 3%, e Peru com 2%, e intervalos de tolerância de mais ou menos 1%). Todos têm regimes flexíveis de câmbio, que os ajudam a lidar com choques externos e fazem da meta de inflação a principal âncora nominal. Eles dispõem de reservas internacionais abundantes, complementadas no caso da Colômbia por uma linha de crédito flexível do FMI - um arranjo precaucionário sem condicionalidades, reservado aos países com o melhor desempenho. Suas políticas fiscais seguem regras bem definidas, cabendo à política monetária, normalmente, o protagonismo na estabilização cíclica. No Peru e no Chile, o setor público acumulou ativos líquidos substanciais, disponíveis para momentos de adversidade.

Esses arcabouços - similares aos adotados por países avançados ricos em commodities - têm produzido resultados excelentes. Por exemplo, o PIB trimestral caiu com a crise global de 2008 (como é natural em economias tão abertas), mas o rebote foi rápido. A Colômbia recuperou-se após um único trimestre. A perda acumulada de PIB trimestral, como proporção do nível pré-crise, foi de 8,3% no Chile e de 7,3% no Peru (contra 14.7% no Brasil).

A política monetária também rendeu bons frutos em termos de estabilidade de preços, apesar de um grau de abertura que, no passado, ampliou o impacto de choques de energia e alimentos sobre a inflação. Agora, as expectativas de inflação 12 meses à frente são de 3% no Chile e na Colômbia - exatamente na meta - e de 2,5% no Peru - bem próximas ao centro da meta. Com credibilidade nominal, a dolarização e a indexação vêm declinando gradualmente.

É evidente que essas economias ainda têm desafios estruturais a enfrentar. Como no restante da América Latina, têm muito espaço para aprimorar o capital humano e para avançar na distribuição de renda. Precisam conciliar as necessidades das comunidades locais com grandes projetos de investimento, inclusive em energia e mineração. Os mercados de trabalho chileno e colombiano precisam ser flexibilizados, para reduzir a volatilidade do emprego e as taxas médias de desemprego. Colômbia e Peru precisam aprofundar os mercados financeiros. Todos os três países precisam diversificar exportações - tarefa difícil diante de preços atrativos dos seus produtos tradicionais.

As políticas macroeconômicas também se deparam com dilemas complicados. A demanda doméstica parece estar se expandindo rápido demais no Chile e no Peru. Em certas áreas, a atividade de construção e os preços dos imóveis aumentaram muito. Mas a inflação não é uma ameaça evidente e as taxas de juros, embora na zona de neutralidade do ponto de vista doméstico, permanecem acima dos patamares internacionais, enquanto as moedas estão particularmente apreciadas - tudo isso torna impalatável um aperto monetário. Já a Colômbia sofreu uma inesperada desaceleração e, com projeções de inflação abaixo da meta de 3%, pôde embarcar num ciclo de afrouxamento.

A boa notícia é que esses três países estão conscientes de seus desafios: os eleitores pedem reformas adicionais e os formuladores de política parecem estar alertas. Os investidores devem ficar de olho nessas economias.

Valor Econômico
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