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Cooperação internacional - 18/04/2016

 

Desenhado pelo Carbon Trust em parceria com o governo e empresas do setor privado, foi apresentado ao mercado um programa para implementar boas práticas em cada subsetor da cadeia de fornecimento de carne bovina, da pecuária ao varejo. O relatório aponta como o Brasil pode implementar medidas que aumentem a produtividade e reduzam as emissões de GEE (Gases de Efeito Estufa) no segmento.

O relatório mostra que uma das ações imediatas seria a economia de US$ 1 bi em custos de energia, além das emissões de gases de efeito estufa em cada subsetor em pelo menos 16 milhões de toneladas de CO₂, uma quantidade similar ao total de emissões anuais da Bolívia.

“Nossos cálculos mostram que, com esses recursos poderemos trabalhar com amostras significativas de todos os subsetores da cadeia e gerar uma economia de US$ 1 bilhão, além de evitar emissões de pelo menos 16 milhões de toneladas de CO₂”, disse João Lampreia, gerente do Carbon Trust no Brasil.

O programa que é financiado pela Embaixada Britânica em Brasília (DF) tem o apoio do Mapa (Ministério da Agricultura), MMA (Ministério do Meio Ambiente) e do BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento), além da indústria local, instituições especializadas e ONGs.

De acordo com Lampreia, a cadeia da carne bovina desempenha um papel importante na economia brasileira, mas é também a maior colaboradora para o impacto do país sobre as mudanças climáticas. “Felizmente, existe uma série de medidas conhecidas que reduzem os impactos e emissões causados ao longo desta cadeia e, ao mesmo tempo, trazem benefícios econômicos, como o aumento de produtividade e a redução de custos energéticos em cada subsetor”, comentou.

Embora a carne bovina seja uma das exportações mais significativas do Brasil, apenas um quinto da produção total vai para o exterior, com níveis muito elevados de consumo interno. O Guia Marítimo noticiou na semana passada o aumento das exportações de carne bovina (Leia no Guia), que por ano no Brasil gera mais de R$ 50 bilhões de faturamento da sua produção, em receita. A expectativa é que até 2020 governo aumente para 13,6 milhões de toneladas.

No entanto, apesar da sua relevância econômica, a produção de carne tem um impacto ambiental muito alto. Atualmente, a pecuária é diretamente responsável por 17% das emissões de gases de efeito estufa no Brasil. Indiretamente, o setor também é responsável por uma grande parte do desmatamento e degradação da terra contínuos, que respondem por mais de 24% do impacto do país sobre as mudanças climáticas. A cadeia de abastecimento de carne é, portanto, responsável por mais de 40% do impacto total do Brasil sobre as mudanças climáticas.

Entre as principais oportunidades em todos os cinco subsetores da cadeia de fornecimento identificadas pelo programa estão a criação de gado, transporte de animais vivos, instalações de processamento de carne, transporte refrigerado e varejo de alimentos.

Vale ressaltar que a consultoria está agora tentando assegurar US$ 120 milhões em financiamento internacional e contrapartidas locais para implementar o programa que irá conscientizar empresas na cadeia da carne sobre as soluções práticas para otimizarem seus processos, além de oferecer assistência técnica e financiamento para ajudar empresas a identificar e implementar soluções.”O programa está alinhado com o comprometimento que o governo brasileiro assumiu na COP 21 em Paris, e sua abordagem poderá ser replicada para fomentar o desenvolvimento sustentável do país”, finalizou Lampreia.

Diário do Comércio
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