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Azevêdo muda ritmo da OMC e já encara críticas - 25/09/2013

Roberto Azevêdo não completou nem mesmo seu primeiro mês como diretor-geral da Organização Mundial do Comércio (OMC) e já destaca seu primeiro feito. Com um "tratamento de choque" aplicado na entidade na esperança de ressuscitar a Rodada Doha, ele comemora: as negociações foram finalmente retomadas, em uma instituição que estava paralisada, e ele quer um acordo preliminar em meados de outubro.

"As negociações voltaram para a OMC. Os governos estão se mexendo. Temos de novo um clima negociador e o ambiente mudou", declarou Azevêdo.

Para transformar o ambiente na OMC, Azevêdo optou por medidas drásticas. A primeira delas foi impedir que embaixadores falem nas reuniões por mais de 60 segundos. "É um tratamento de choque", admitiu. "Nossas reuniões eram muito longas. Mudamos isso. É parte da nova atmosfera, de reuniões mais focadas."

O brasileiro sabe que tem poucos dias para evitar um desastre. Em apenas dez semanas, a OMC realiza sua conferência ministerial em Bali. Um acordo representará o primeiro resultado concreto da entidade em 20 anos. Mas um fracasso colocaria a entidade num congelador por vários anos e, na prática, decretaria um período dos mais difíceis para o brasileiro.

Azevêdo tem pressa. Uma das medidas foi a de bater o martelo e começar as reuniões na hora marcada. "No início, as salas estavam vazias. Mas deixei claro que começaria com quem estivesse no local e vou tomar decisões com eles na sala ou não." O resultado é que reuniões têm até terminado antes dos horários estipulados.

"Não podemos ter um processo que se prolonga no tempo de forma indefinida e não vai a lugar algum", disse. "Se não há avanço, encerramos a reunião. Essa é a nova dinâmica: mostrar às pessoas que chegou a hora de tomar decisões", insistiu.

Presença. Ao contrário de outros diretores, Azevêdo decidiu que estaria em todas as reuniões, demonstrando que quer tomar as rédeas do processo. "Quando é necessário, intervenho, peço sugestões e dou broncas", disse. "Estamos num momento que a presença é importante." Seu antecessor, Pascal Lamy, foi criticado por passar parte de seu tempo viajando pelo mundo para fazer discursos.

Outra medida adotada por Azevêdo foi a de promover reuniões com um número maior de países, e não apenas grupos fechados das grandes potências, conhecidos como Green Room.

Para garantir que governos façam concessões, ele passou a convocar encontros sobre os vários temas, na esperança de que um determinado país que hesite em fazer uma concessão em um tema veja que o assunto que lhe interessa também está caminhando. Mas, para garantir o sucesso de Bali, parte da estratégia de Azevêdo tem sido a de forçar os governos a tomar uma decisão política sobre o que estão dispostos a ceder.

"Tecnicamente será um acordo difícil e politicamente sensível. Por isso, não podemos deixar para o último momento. Não se pode adiar a decisão política", defendeu. Sua meta é a de conseguir que, já em meados de outubro, governos cheguem a um acordo sobre o que será aprovado em Bali. Isso incluiria agricultura e facilitação de comércio que, na prática seria a capacidade de reduzir processos burocráticos nas aduanas.

Se perceber que não conseguiu que governos tomem decisões em Genebra, Azevedo já indicou que viajará em outubro para falar com líderes asiáticos. "Se eu não as consigo aqui, terei de ir buscá-las", declarou.

Se o entusiasmo toma conta do brasileiro, nem todos estão de acordo com sua forma de conduzir os trabalhos. Para delegações africanas, Azevêdo está defendendo uma agenda que atende aos interesses das exportações americanas ao querer acabar com os entraves burocráticos para o comércio, sem ganhos reais em outros setores de interesse dos emergentes.

Já outros negociadores dizem que Azevêdo adotou a estratégia de convencer o governo de Barack Obama de que a OMC pode trazer ganhos para a Casa Branca, num esforço de trazer de volta para a entidade a maior economia do mundo. "Se fecharmos um acordo em Bali, será a primeira vez que teremos um acordo multilateral na OMC em sua historia", diz.

O Estado de S. Paulo
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